Síndrome de Down ou Trissomia 21

O que é?

Síndrome de Down é um dos defeitos congénitos mais comuns, estando presente em todas as idades, raças, religiões e situação económica. Foi descoberta em 1866 pelo médico inglês John Langdon Down.

Consiste numa combinação de caraterísticas fenotípicas, a qual é originada pela existência de três cromossomas 21. Há uma atraso mental que varia de leve a grave, passando por um grau moderado, e uma face típica.

O risco de ter uma criança com esta síndrome aumenta de acordo com a idade materna, apesar de serem as mães com menos de 35 anos que têm mais filhos com este síndrome, pois a sua taxa de fertilidade é maior.

Esta doença pode ser diagnosticada por meio de um exame pré-natal, contudo este tem um pequeno risco de infeção ou de aborto espontâneo. A Síndrome de Down não tem cura, nem pode ser prevenida.

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 Desenvolvimento global das crianças

Geralmente, as crianças com Síndrome de Down podem fazer a maioria das coisas que qualquer outra criança (andar, falar, vestir-se, por exemplo). No entanto, fazem-no mais tarde, relativamente às outras crianças, pois o seu desenvolvimento físico e mental é mais lento.

A nível motor, apenas aprendem a andar entre os 15 e 36 meses. Devido ao seu baixo tónus muscular, estas crianças podem ter mais dificuldades em aprender a levantar a cabeça, a sentar-se e a parar e, para melhorar esta situação, podem realizar-se exercícios desde as primeiras semanas de vida. Estas crianças passam muito do seu tempo a manipular objetos e a observar o que as rodeia.

Relativamente à linguagem, o seu desenvolvimento também apresenta um atraso significativo (discurso, aquisição da linguagem e memória). Geralmente, estas crianças começam a dizer algumas palavras após os 2 anos de idade. No entanto, têm dificuldade em construir frases. Um dos factores que poderá estar relacionado com o seu atraso na fala é a dificuldade em articular as palavras, uma vez que a criança não consegue controlar o movimento dos lábios e da língua. As crianças com Trissomia 21 também têm dificuldade em concentrar-se em algo e em focar a sua atenção.

A existência de um ambiente estimulante onde haja amor e carinho, bem como uma intervenção precoce e esforços educativos são positivos e relevantes no desenvolvimento destas crianças. 

Ensino / Aprendizagem

É relevante o conhecimento deste síndrome, de modo a que se possa estabelecer positivos métodos de aprendizagem adequados a estas crianças, as quais necessitam de um maior incentivo, observação e auxílio, sendo também importante uma estimulação precoce e apoio dos pais.

Deve procurar-se desenvolver a autonomia destas crianças, ajudando-as nas tarefas o mínimo possível, o que, para além da autonomia, fará com que se sintam competentes e mantenham o interesse na exploração e aprendizagem de novas coisas. O facto da criança ser capaz de fazer algo que não fazia anteriormente significa que ela fez aprendizagens.

Ao procurar que a criança faça novas aprendizagens, esta deve ser observada pelo educador (paciente e perseverante), que deve estar atento aos assuntos que suscitam o seu interesse, que têm utilidade para ela, e deve também ser capaz de reconhecer as áreas que a criança domina melhor e pior e saber quais as aprendizagens que esta fez. Assim, ao propor atividades às crianças, o educador deve ter tudo isto em conta, bem como o seu nível de desenvolvimento. Deve ainda proporcionar um agradável ambiente de trabalho e saber decidir qual o momento e local mais positivos para a introdução das atividades. Estas devem dividir-se por diversas fases (o mais simples possíveis) e deve dar-se tempo para que a criança domine cada uma delas, de modo a poder passar para a fase seguinte. Ao finalizar a tarefa deve recompensar-se a criança de um modo adequado e consistente (elogios, sorrisos, bater palmas, fazer algo que a criança goste...). Para poder fazer uma avaliação do resultado da atividade, o educador deve ver se a criança é capaz de fazer o que aprendeu e se aplica esse conhecimento no seu quotidiano. Caso o resultado seja negativo, deve repetir-se novamente o exercício.

As estratégias de ensino devem também ter em conta os problemas auditivos e visuais das crianças que têm Síndrome de Down. Deste modo, ao pedir algo à criança deve exemplificar-se ou dar-se pistas daquilo que se pretende, o que melhorará o seu desempenho na tarefa, pois ela compreendê-la-á melhor. Para estas crianças a exploração de um objeto ou a participação em tarefas diárias é bastante importante para a sua aprendizagem.
De modo a auxiliar a criança na linguagem, o educador deve falar clara e pausadamente, pronunciando bem as palavras, fazendo com que a criança observe os movimentos dos lábios e da boca e ainda fazendo alguns exercícios para promover a fala.
Os materiais presentes na sala devem ser apropriados às crianças, ser atrativos e suscitarem a sua curiosidade e interesse, devem ser fáceis de manipular e ter um nível de complexidade intermédio, não devem ser muito pesados e devem ser apropriados à aprendizagem destas crianças. Caso isto não se verifique,e devem ser substituídos.

A escola

As crianças com Trissomia 21 podem frequentar a escola, havendo programas especiais que abordam a idade pré-escolar, desenvolvendo aptidões e competências nestas crianças. No entanto, estas crianças podem integrar-se numa escola normal, havendo mesmo muitas que aprendem a ler e escrever e participam nas atividades desenvolvidas na escola e nos jardins de infância.