O Síndrome X-Frágil

Explicação e origem:

“X-Frágil” designa uma anomalia originada por um gene defeituoso localizado no cromossoma “x”. Este está presente no par de cromossomas que determinam o sexo (“xx” – mulheres; “xy”- homens). Assim, ao apresentar uma falha numa das suas partes, resulta num conjunto de sinais e sintomas clínicos (ou síndrome) surgindo, então, o nome de Síndrome X-Frágil.
Nas décadas de 40 e 50, alguns problemas de deficiência mental ligados ao cromossoma “x” com predominância em homens, foram estudados em famílias. Nessa altura, dava-se o nome de Síndrome de Martin-Bell. Contudo, foi em 1970 que foi melhor caraterizada através da observação do cromossoma “x” por estudos de citogenética e, só em 1991, foram identificados com rigor, através de estudos moleculares, a causa dos problemas – a mutação ocorrida num gene - Fragile Mental Retardation 1- que se situa no cromossoma “x” e explica a falha (fragilidade) numa das suas partes (porção subterminal do seu braço longo). O gene FMR1 apresenta, de ínicio, cópias repetidas Citosina-Guanina-Guanina que são algumas das bases nitrogenadas que compõem o DNA (molécula de ácido desoxirribunucleico que contém a informação genética, constituindo os cromossomas). O número normal de cópias varia de 6 a 50. Indivíduos atingidos pelo Síndrome X-Frágil apresentam mais de 200 cópias (mutação completa). Assim, não ocorre a síntese de uma proteína essencial para o nosso organismo – FMRP. A sua ausência repete-se nas células do organismo, condicionando diversas estruturas e funções, especialmente as coprrespondentes às capacidades mentais. Alguns indivíduos, que apresentam entre 50 a 200 cópias, possuem a pré-mutação. Em princípio, não revelam sintomas mas podem transmitir a doença. 

Transmissão:

No caso do indivíduo possuir a pré-mutação torna-se portador, mas se possuir a mutação completa significa que está afetado.
No primeiro caso, as pessoas possuem um defeito menor, podem demonstrar sintomas leves ou mesmo nenhum, sendo consideradas clinicamente normais. Porém, mesmo não apresentando problemas inteletuais, transmitirá a pré-mutação às suas filhas e a nenhum dos seus filhos. As suas filhas, mesmo que não apresentem alterações emocionais, inteletuais e físicas, poderão ter descendência com problemas, pois serão também portadoras. Cada filho ou filha de uma mulher portadora tem 50% de probabilidades de herdar o gene. A pré-mutação pode ser passada de pais para filhos, ao longo de gerações, de forma “silenciosa”, até que um dos seus membros seja atingido pelo Síndrome.
No caso de ser uma mulher afetada, a probabilidade de ter filhos afetados aumenta. Alguns estudos demonstram que a herança tem padrões peculiares. O risco de ter filhos afetados é maior quando as mulheres são portadoras e clinicamente normais. A este fenómeno dá-se o nome de antecipação, ou seja, após surgir um caso na família pode aumentar a frequência do aparecimento e severidade da doença em gerações posteriores. Isto acontece já que o número de cópias CGG tende a aumentar de geração em geração.

O que provoca:

Este Síndrome é uma causa frequente de perturbação mental que afeta o desenvolvimento inteletual e o comportamento de homens e mulheres.
Desta forma, o grande problema inerente a este Síndrome é o comprometimento da área inteletual e cognitiva. Pode provocar dificuldades de aprendizagem leves, moderadas, severas ou profundas de “atraso” mental. Esta causa de é a segunda mais frequente, sendo a primeira o Síndrome de Down. No entanto, divergem pois o Síndrome X-Frágil é de caráter hereditário e pode atingir vários membros da mesma família sem deixar marcas caraterísticas físicas.

Exames:

Os sinais e sintomas deste Síndrome são semelhantes a outros tipos de distúrbios e atrasos gerais de desenvolvimento pelo que são necessários exames genéticos com técnicas especiais para confirmá-lo. A exatidão destes testes é fundamental, pois possibilita a orientação e/ou encaminhamento dos tratamentos e o aconselhamento das famílias sobre os riscos de recorrência e as possíveis opções reprodutivas.

População afectada:

Todas as raças e grupos étnicos podem ser afetadas pelo Síndrome X-Frágil, porém este atinge com mais frequência e intensidade os homens que as mulheres.
Segundo estimativas resultantes de pesquisas e estudos epidemiológicos feitos em países desenvolvidos, pensa-se que, no geral, 1 em cada 2000 pessoas são atingidas pelo Síndrome X-Frágil. Atinge cerca de 1 em cada 1250 homens e 1 em cada 2500 mulheres. 1 em cada 259 mulheres é portadora do gene com o defeito causador do Síndrome. Também se estima que 80% a 90% das famílias portadoras ainda não foram diagnosticadas.
O facto deste Síndrome atingir com mais frequência os homens do que as mulheres explica-se pelo facto das mulheres possuírem dois cromossomas “x”, apresentando duas cópias do gene FMR1. No entanto, elas são raramente atingidas pelos problemas graves deste Síndrome, uma vez que, geralmente, o aumento do número de cópias CGG está presente apenas num dos cromossomas “x”, podendo ser compensado pelo funcionamento normal do outro gene contido no par. Esta “compensação” não ocorre no sexo masculino, pois existe apenas uma cópia do gene FMR1 no único cromossoma “x” do par “xy”. Desta forma, explica-se a razão pela qual somente 1/3 das mulheres portadoras do gene alterado apresentam algum grau de défice mental.
Desconhece-se a causa de comprometimento mental, tanto pelos profissionais de saúde e de educação, como pela população no geral. Desta maneira, não é um Síndrome raro, mas pouco divulgado e diagnosticado, uma vez que a investigação, comprovação e descrição científicas são relativamente recentes.