Educação permissiva ou autoritária?

Muitos Educadores/Pais questionam-se sobre as suas atitudes na educação das crianças. Em determinados momentos são educadores intransigentes, impõem regras e obrigam a criança a cumpri-las, enquanto noutros, dão liberdade a mais, ” fecham os olhos” e satisfazem os pedidos ou caprichos. Devemos então ser educadores permissivos ou mais autoritários?

educacao permissiva_calvinUma educação permissiva baseia-se na ideia de que a criança tem um ritmo de desenvolvimento próprio no qual os adultos não devem interferir. É a criança que decide o que quer fazer, como e quando, sem ser conduzida nem corrigida pelos educadores e pais. Este método diz NÃO à regra mas SIM à liberdade, e acredita que só assim as crianças serão mais criativas e espontâneas.

Se reflectirmos sobre este estilo educacional somos tentados a pensar; então a permissividade é o método ideal para educarmos as crianças, afinal se os educadores e pais não impõem limites nem regras a criança não tem motivos para fazer birras, ser rabugenta ou rebelde, no fundo, ela tem tudo aquilo que ambiciona.

Este pensamento é aprazível mas infelizmente utópico. A prática demonstra que as crianças que são educadas segundo o estilo permissivo, sem limites nem imposições dos progenitores, não são nem mais calmas nem menos agressivas. Para elas, a permissividade mais cedo ou mais tarde, é interpretada como abandono, falta de atenção e orientação, e por isso sentem-se perdidas e sós.

Portanto enumero aqui alguns passos do que NÃO deve fazer:

  • Satisfaça sempre todos os seus desejos, apetites e prazeres;
  • Dê-lhe sempre tudo o que ele pedir;
  • Ria-se quando ele disser palavrões ou se comportar inadequadamente;
  • Dê-lhe todo o dinheiro que ele queira gastar;
  • Deixe-o vestir-se e pentear-se como quiser;
  • Deixe-o ler tudo o que quiser;
  • Se ele estragou ou destruiu, não faz mal;
  • Desculpe-o sempre dos disparates que faz ou diz;
  • Não restrinja as suas actividades com horários ou rotinas;
  • Deixe-o ver tudo o que quiser;
  • Nunca o repreenda;
  • Recolha tudo o que ele deixar espalhado e desarrumado;
  • Autorize a que faça gazeta quando quiser;
  • Não o faça emendar um erro;
  • Não se incomode com mentiras ou omissões;
  • Garanta a sua privacidade dando-lhe um espaço sobre o qual apenas ele tem autoridade;
  • Defenda-o sempre em caso de conflito;
  • Deixe-o ver tanta televisão quanta quiser e todos os programas que quiser;
  • Não o obrigue a comer o que não quer ou não gosta;
  • Discuta sempre na presença do seu filho;
  • Se ele roubar, garanta que não é apanhado;
  • Não o obrigue a conviver (estar) com a família;
  • Deixe-o incomodar terceiros sem restrições;
  • Não o obrigue a pedir desculpa;
  • Deixe-o fazer o que quiser, sempre que quiser.

A educação autoritária é o oposto da permissiva, os educadores e pais recorrem constantemente às regras e aos limites, obrigam a criança a cumpri-los sob ameaça de castigos. São os pais que a orientam, dão-lhe uma liberdade controlada, não satisfazem as vontades nem cedem às chantagens.

Estes educadores e pais, na maioria dos casos, tornam-se educadores frios, distantes, incapazes de compreenderem verdadeiramente os desejos e os actos da criança.
  • Se uma criança vive criticada, aprende a condenar.
  • Se uma criança vive com maus-tratos, aprende a brigar.
  • Se uma criança vive humilhada, aprende a sentir-se culpada.
  • Se uma criança é estimulada, aprende a confiar.
  • Se uma criança é valorizada, aprende a valorizar.
  • Se uma criança vive no equilíbrio, aprende a ser justa.
  • Se uma criança vive em segurança, aprende a ter fé.
  • Se uma criança é bem aceite, aprende a respeitar.
  • Se uma criança vive na amizade, aprende a encontrar o amor no mundo.

Mas afinal, que estilo de educação devemos escolher?

O melhor estilo educacional é o democrático!

educacao permissivaUm bom educador é aquele que consegue encontrar um equilíbrio, entre um estilo permissivo e o autoritário, mas para além disso, também sabe ser compreensivo e justo. É o caso dos educadores que perante determinados assuntos não vacilam, e por isso impõem limites e obrigam a criança a respeitá-los, e noutros, compreendem, analisam o comportamento da criança e actuam pedagogicamente, ensinando-a a ser feliz.

Os limites na educação das crianças são ingredientes essenciais para que elas possam crescer saudáveis e prepararem-se convenientemente para a vida adulta. Os limites permitem lidar com a frustração, dar prioridade às vontades e lutar pelos objectivos. Sem limites não pode existir nem individualidade nem identidade. A falta de limites condiciona o desenvolvimento da autonomia e da independência da criança.

Assim, quando os pais não satisfazem de imediato um desejo à criança, não estão necessariamente a criar-lhe um complexo, pelo contrário, estão a educá-la, principalmente quando lhe explicam porque razão não satisfizeram o pedido dizendo-lhe do que deverá fazer para o ver realizado.

E quanto mais pequena for a criança mais claros e estritos devem ser os limites estabelecidos pelos pais e educadores.

Atitudes de um bom Educador:

A criança precisa de parâmetros. Os adultos, são responsáveis directos no que diz respeito à sua aprendizagem, porque as crianças buscam neles um reforço, seja ele negativo ou positivo. Por isso, é preciso estar atento aos comportamentos que tomamos pois o que fazemos é imitado pelas crianças. Se dizemos que uma atitude não é correcta e mesmo assim a fazemos, com certeza a criança ficará insegura, não acreditará no que lhe é dito e fará exactamente o que não devia, já que ela aprende muito mais pelo que vê do que pelo que ouve.

Portanto o educador deve explicar sempre quando e porquê as suas acções lhe são permitidas a si e à criança não. O educador deve referir as razões de capacidade, idade, segurança, adequação ou responsabilidade. O educador nunca deve ter medo de dizer "não", mas também deve explicar sempre o porquê. O Educador tem de deixar a criança colaborar, na medida do possível e por fim quando e sempre que for possível deve e tem a obrigação de ensinar.